Há algum tempo atrás, nesses bazares de livros, comprei um livro sobre biografias de personagens da vida real que mudaram o curso da história e como a vida deles poderia inspirar a minha. Pois bem, pus-me a lê-lo. No entanto, no início do caminho acabei por abandonar a leitura. Posteriormente, com um novo reforço dado, recomecei a leitura e logo terminei de dar conta da tarefa. O resultado? Uma leitura e até mesmo uma releitura feita sobre seres iluminados que ergueram a luz onde havia trevas e ignorância. Seres que fascinam e inspiram por seus feitos. Mas, mais inspirador mesmo são suas vidas. Aqui encontramos histórias de luta contra o preconceito, doenças, condição social e falta de fé. Mas também encontramos algumas desilusões e decepções, a exemplo do que aconteceu com Santos Dumont, ao ver o que tanto tinha perseguido ser utilizado como instrumento de destruição em guerras e conflitos. Outros exemplos de atos até de uma irracionalidade fora dos limites de uma sociedade dita desenvolvida em pleno século XX, como a Inglaterra, que adotava a castração de homossexuais e que se manteve impiedosa contra Alan Turing, mesmo tendo este dado contribuições gigantescas em áreas importantes que dariam um novo alvorecer à perspectiva homem-máquina e que só foi pedido o seu perdão quando já tinha morrido, muitos anos depois. Turing nos ensina o valor do respeito às diferenças. A única mulher do rol de genialidades é a única que ganhou dois prêmios Nobel. Marie Curie. Ganhadora em duas áreas científicas (química e física), Madame Curie também teve que lutar contra preconceitos em uma época em que as aspirações intelectuais de uma mulher não eram levadas a sério. Vamos encontrar, também outros exemplos de superação como Michael Faraday e a simplicidade com que levou a vida frente às adversidades sociais encontradas durante a juventude. Histórias de rivalidades e quebras de amizades, bem como de crueldades - desta vez imprimidas por gênios que se mostraram impiedosos frente aos seus desafetos, como mencionado na seção dedicada a Isaac Newton, são contadas e ao mesmo tempo nos levam à curiosidade de saber mais, traçar novas perspectivas biográficas sobre homens que só conhecíamos apenas por seus feitos científicos. Dois brasileiros figuram as páginas do pequeno tomo, além do já citado Santos Dumont, temos também outro, não sei bem dizer se obscuro, mas posso dizer com certeza obscurecido pela falta de visão e apoio à pesquisa científica: Roberto Landell de Moura.
São páginas dedicadas a ilustres homens que mudaram a forma como se faz ciência e possibilitaram uma nova abordagem de se encarar o mundo. A organização e a disposição como os personagens estão dispostos na obra dão um toque especial de atenção às características escolhidas pelo autor - Salvador Nogueira - ao inserir cada grupo de 5 gênios em um categoria: Mestres da abstração, da observação, da intuição, da superação e da visão. Claro que nós leitores podemos nos dar a tarefa de reunir mais categorias ou até mesmo inserir mais gênios em mais de uma, isso vai depender do ponto de vista de como cada um ver o biografado em questão. Cientistas e pacifistas como Max Planck (também dois Nobel), visionários como Da Vinci e gênios que até mesmo acertam quando erram, como Einstein e a sua "Constante Cosmológica". Aqui desfilam pensadores que eu já tinha conhecido antes em outro livro bastante famoso do físico brasileiro Marcelo Gleiser - "A dança do Universo": Kepler e Copérnico, são alguns exemplos para quem queira conhecer mais sobre esses incríveis cientistas. Sem deixar de mencionar também Galileu Galilei, obrigado a renegar as suas convicções e posto em carcere privado. Steve Jobs também está entre as páginas da publicação. Um visionário e revolucionário tecnológico que resolvia necessidades sem mesmo termos noção delas, até toparmos com a solução. E tantos outros que eu poderia escrever, mas prefiro pecar em não fazê-lo para destacar uma figura pra mim antes desconhecida, mas que se revelou bastante inspiradora, sobretudo no mundo caótico em que vivemos atualmente - o único biografado vivo do livro: Elon Musk. Para quem ainda não o conhece, Musk é o passaporte para o próximo século. O homem que não explora o mundo para depois devolver. Ele alavanca a sua própria vida como empreendedor visionário, levando consigo a humanidade e perspectivas melhores para o futuro. Esse se encaixou muito no momento que vivo hoje e como procuro encarar o meu presente, para a construção de um futuro próspero.
No final das contas o livro traça um panorama enxuto, que não deixa de ser profundo porque não se entrega a mediocridade, nem a superficialidade, mas que se torna leitura obrigatória, de deleite e prazer e até mesmo de consulta para quem busca conhecimento e se espelhar em exemplos nobres.
